domingo, 20 de setembro de 2009

Acho que todos nós, em alguma mínima passagem da vida, predestina um dia da vida á momentos determinados. A espera, e a fome pela passagem dos tempos. Predestina-se o domingo, a quarta, a sexta para o encontro, e para que os céus contribuam, para que sinos sejam ouvidos ao longe. Imagina-se tudo para que aquele tempo chegue e rápido. Pensa-se nas palavras, olhares, no cheiro, nos sorrisos. Tudo de bom e como tiver de ser. As expectativas ultrapassam a realidade de que tudo é possível, até o desencontro, frio.
Aquele desencontro que deixa uma lacuna, o choro preso, o coração nos punhos. É como se o dia fosse transformado em algo que deve acabar logo. O dia que antes havia sido predestinado, agora foi jogado de lado, por um motivo qualquer, por uma mentira qualquer, por mais horas, por mais minutos, mais segundos, mais tempo a ser ultrapassado, mais silêncio.
E ficamos só. Como num palco sem luzes. Um palco sem luzes e com uma cadeira no centro. Somos nós a platéia, somos nós os protagonistas, de um teatro sem atores que se encontram, que se abraçam, que se completam.
Então, olha-se para a frente. Respira-se. E mais uma vez, tentamos pensar antes de dizer qualquer palavra precipitante. Qualquer coisa cortante. Evita-se isso. Evita-se o grito, o choro, a raiva, para dar espaço a mais uma daquelas regras de auto controle e renúncia. No topo da minha nuca, bem no centro, verte a ideia de que tudo pode acabar bem, desde que eu refreie os impulsos e tire de mim a parte que diz que amar as vezes dói, as vezes enlouquece, as vezes enfraquece, as vezes ensina. Tira-se a máscara de praticidade, para dar lugar à algo mais humano, embora seja um pouco complicado. Uma outra parte de mim ri da minha cara, querendo me provar, com tudo isso, que eu realmente preciso aprender com a dor que me cerca nestes domingos de sol. Tem mais uma, que me manda viver somente o presente, e a outra, que me desobedece, me faz sentir pequena, saudosa, solitária. Como agora. Como estar á beira do abismo, como gritar a plenos pulmões, como estar em uma sala cheia de pessoas que simplesmente largaram suas almas cansadas no chão, para tamparem os ouvidos e deixarem de crer que as coisas se resolvem com menos regras e mais calma, mais amor, mais carinho, mais palavras, mais tato.
Eu nunca quis deixar ninguém sozinho. Mas eu estou sozinha. [...]

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

[...] Monday today.

Hoje,construí ua situação muito parecida com a raposa na toca do coelho. Não sei se me sinto mais raposa, mais coelho. Um pouco dos dois. Como estar à deriva. À espera, na butuca. Será que estou sendo muito ''casual''? Muito egocêntrica? Cheia de perseveranças. Esperanças, como qualquer cria em idade de perder sua timidez. Mostro os joelhos para a estrada e em troca ganho esfolões. Indiretamente, peço pelo dia em que possa deitar a cabeça no travesseiro, com dinheiro no banco e paz de espírito.
Quanta ideia. Nenhuma delas é o ideal. Ninguém sabe, mas guardo comigo um segredo. Vários, quem sabe. Pérolas de pensamentos próprios. Ideologias, análises, teorias. Tudo muito prático, mas se soluções integrais. De fato, sinto-me mais e paz quando não há ninguém por perto e minhas mães escrevem as palavras na moita. Na noite. Nos cantos deste mundinho. As vezes levo um aperto no coração e vejo-me minuscula, brincando na infância. Brincando de infância. Não consigo entender como aquela essência ainda me habita. Ou, como eu habitava aquela criança. Das duas uma. Poderia sentir-me mais poderosa, não fosse esta liberdade vigiada. Embora, eu continue me entindo poderosa. Me conheço. Tenho faíscas de perseverança. Um inconformismo natural, e algumas gotículas de teimosia. Orgulho. Essas coisas que me movem, um dia ainda vão acabar com meu fôlego. Tenho dito.

domingo, 9 de agosto de 2009

O problema de interpretar os seus próprios problemas, é que sempre há a busca pela solução. Não há a real interpretação dos problemas, mas sim, a busca incessante para fugir deles. E a busca mais do que precisa para se viver o futuro e nunca o presente. E as dores do passado. Cada passo é alguém, cada alguém é uma memória desmerecida. O coração é tão grande, que esquece que uma hora dessas, a calma tem de fluir. Perseverança, entusiasmo.
O problema de mergulhar nos teus problemas, é que sempre se entra em transe, em pânico. Não há equilibrio. Não há resposta, sem equilibrio. O problema de perder o equilibrio, é que sempre pode ter uma pedra no meio do caminho, daquelas que deixam os joelhos cheios de esfolões.
O problema é não saber se é melhor fugir ou mergulhar dentro de si. Acho que os dois servem, é preciso sorrir, dar-se mais uma chance, cheio de ousadias. ''

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Há um mundo sem fundo lá fora. Como uma luz que pisca e pisca e não se acende nunca.
Há uma roda, e todos dão as mãos, mas todos viram as caras. Olhos fechados que não se vêem. Corações com tampas de plástico. Há alguém dizendo pra outros alguns que o meio está no fim, mas o meio está onde está. Desde que nasci para uma eternidade não pertencente a mim, vejo-me rodeada de criaturas inanimadas, iguais aos seus pais. São guardiões de uma verdade sem verdades. São verdades anuladas, porém perseverantes.
Guardo em uma caixa cheia de cores, algumas partes de mim que ainda considero minhas até onde as paredes já não têm mais tijolos, até onde o chão não tem mais onde pisarmos.
Há alguém boicotando cérebros, fazendo geléias de pensamentos únicos. Há alguém maltratando idéias, sugerindo buscas a repetições, passados contínuos. Há um risco no disco de vinil, da vitrola sem agulha. Há uma interrupção no prazer inesperado. Como se cortar o gozo. Como morder a língua, continuamente. Há um impasse, uma peça perdida, há um valor sem valores.
Busco em mim as perdições dos outros, como se isso fosse faze-los melhor. Vejo-me cercada de mentes sem mente. Insisto? Desisto? Sento, pinto um quadro com os escrúpulos, fujo de obstáculos, vejo-me completamente louca, desertada desta terra. Este buraco sem fim, este túnel sem luz, onde foi parar? Onde foi parar a poesia que planejei aos céus quando tinha 15 anos? Onde estão os lenços vermelhos e boinas acenando aos ídolos enterrados em revoluções? Percebo a canalhice e a resolução dos problemas. Percebo a dor de gastar, percebo as lágrimas a cada fim, a cada rompimento de sonhos, a cada movimento brusco, como uma queda de pressão, derrubando todos os sinais instáveis.
Distorceram os cérebros. Hoje todos marcham. Todos têm um espelho e não se vêm. Todos usam seus sexos para guardarem nomes em uma caixa de currículos sexuais. Todos sabem quem todos são. Todos têm papéis na vida de todos, todos falam ofegantes, todos perdem a linha, muitos compram as linhas, outros sugam, outros querem o fim e alguns chegaram ao fim.
As linhas tênues desafinam e distorcem. Amanheceu, é hora de descansar. Hora de tirar as botas, e deitar, à mercê do que pode parecer um ‘’amanhã’’. Do que poderia ainda ser um ‘’hoje’’. Do que fomos no ‘’ontem’’.
A cada vez que escrevo, sei que escrevo exatamente o que escrevia há cinco anos atrás, só que com sinônimos. Palavras difíceis, palavras iguais.
[...]

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Há uma sintonia de garrafas de vidro no centro do meu universo. Os tons são finos e a melodia é suja. Há cheiro de enxofre no ar, enxofre e ares escuros. Os fusos horários tornam-se cada vez mais confusos, como um relógio que pára no meio da selva. Como eu, sem entender. Se toda a vez que o mundo me virasse as costas, eu fizesse poesia, na parede do meu quarto, teria um mundo de versos, um universo de monstros e salamandras rosnando suas dores.

Há um disfuso dentro das batidas incalculadas do meu coronário, como um violão desafinado na batida do tambor, como preces sem Deus, como Deus sem barba.

[...]

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Me deparo com o nós . A sós. Um universo . ''

sábado, 20 de junho de 2009

‘’I see you live on love street’’

Ela vive na rua do amor. Onde todas as cores de meu pensamento se encontram, envoltos numa espécie de veludo. Toda às vezes em que pensava nela, se agigantava de roxos, amarelo, azul, as cores do amor. Ela é afável, mas tem um quê de agridoce, a parte que a deixava amedrontada, sussurrando que se falassem certezas, e nunca dúvidas. Era o coração, pulsando feito bomba relógio. Eram as respirações ofegantes, os medos tardios do futuro. Ela era coberta de magias. Oras acariciava, com os dedos repletos de doçura, oras , apontava-o, feito uma varinha, para todos os cantos da salas escuras. ''
Menina dos olhos, dos furtos coronários, dos medos profundos. Era ela, a que fazia tremer os calcanhares, gaguejarem as línguas mais repletas de certeza. Era ela, com sua doçura selvagem. E foi. Foi dela que ruiram meus muros, da cabeça, dos joelhos, do pescoço, do coração. Foi através das luzes que eu via atrás e ao redor de sua cabeça, que eu me apaixonei pelos olhos e pela voz, entonada como que para o palco. Era ela que eu aguardava com o fervor de uma reza, e era pelas suas mãos que as minhas aguardavam. Como um verso querendo a poesia inteira eu não havia estado no ''estado de graça'', sem antes vê-la de frente e me revestir dela, e ter um recheio de suas entranhas dentro das minhas entranhas. A sentia feito o fogo em dia de inverno, feito a noite fria, feito o vento em meu rosto, a sentia do modo mais natural e necessário, e delirava. [...]
E gritava, aos quatro, cinco, seis ventos, para que viesse para junto de mim, para que partíssemos sem voltar, para que déssemos um basta nesta bolha, nestes muros nestas tristezas que a nós não pertenciam. Era a ela que suplicava para que não soltasse da minha mão. É a ela que eu jurava um amor fecundo, enorme, colorido e repleto de um matiz, que dá vida ás telas destes muros. É para ela que guardo meus votos, minhas palavras, meus olhos. E é dela o sorriso que luto para receber feito um presente, feito um dote, como a flor no momento em que se abre.
É a ela que guardo meu leito, é para a magia que traz em cada gota de seu antídoto de sedução, que guardo meu corpo.
De todas as incertezas que passei a ter, a certeza em que me agarro é a de que meu coração está destinado á uma só. O mundo que gira, pessoas que me gritam, peças que me prego, peças que me pregam. Trago comigo esta certeza, e a guardo, feito jóia, Guardo pra ti. Menina dos olhos.''.

Um beijo.
Amo.